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Este instrumento foi criado no Município do Rio de Janeiro pela Lei Orgânica de 1990 e pelo Plano Diretor, que o regulamentou em 1992. É atribuiçao municipal definir parâmetros de ocupação em seu território, em harmonia com a Constituição Federal de 1988 e com o Estatuto das Cidades, aprovado em 2001.
AEIS é um instrumento de política urbana que permite que o Poder Público dê tratamento diferenciado a uma determinada área, em geral, ocupada por favela, loteamento irregular ou conjunto habitacional de baixa renda.
A AEIS é aprovada por lei municipal e autoriza a Prefeitura a dar gabaritos e dimensões de lotes diferentes dos permitidos pela legislação que disciplina as ocupações regulares, possibilitando a legalização dessas edificações e incorporando-as à “cidade formal”. Comunidades como Rocinha, Alemão, Pavão-Pavãozinho foram declaradas AEIS para que pudessem ser urbanizadas.
Os pontos vermelhos são algumas das AEIS decretadas no Rio de Janeiro. Hoje já são 900 AEIS.
As AEIS devem ser urbanizadas. Devem receber investimentos em infraestrutura e serviços públicos, como abastecimento de água, coleta de lixo, esgotamento sanitário, iluminação pública, sistema viário e de circulação com acesso às moradias e reflorestamento.
A regularização urbanística é um passo para a regularização fundiária, que dá a quem ocupa o terreno a consolidação da posse ou a propriedade. No caso do Jardim Botânico, será consolidada a posse, porque se trata de terreno da União.
A criação de uma AEIS requer estudos técnicos que levantem: necessidades especiais, condições socioeconômicas (faixa de renda, escolaridade, existência de serviços e infraestrutura urbana), particularidades físicas e ambientais (inclinação do terreno, vegetação a ser preservada, rios, lagoas, características geológicas, etc).
Segundo o Plano Diretor, cabe ao Poder Executivo apresentar projetos de lei para criação de AEIS, justamente por ter condições de realizar os estudos técnicos. A Câmara aprova ou rejeita a proposta de iniciativa do prefeito. Portanto, no caso do Jardim Botânico, o projeto, se aprovado, poderá ser contestado na Justiça, porque está sendo proposto por três vereadores.
O Plano Diretor determina que o uso é predominantemente residencial, de baixa renda. Por isso, condomínios de alta renda construídos ilegalmente, como muitos existentes na cidade do Rio de Janeiro, não podem ser beneficiados pela AEIS.
A ocupação irregular de diversas áreas internas, contíguas e próximas ao Jardim Botânico teve início há quase um século. A origem de algumas das atuais comunidades estabelecidas no Horto e na Gávea está relacionada a casas que foram cedidas a funcionários do Jardim Botânico para facilitar o acesso ao trabalho. Há décadas, o Jardim Botânico tenta a reintegração de posse de várias dessas unidades residenciais e já existem decisões judiciais a favor do Jardim Botânico. Mas com o advento do Plano Diretor de 1992 e a aprovação do instrumento da AEIS, abriu-se uma oportunidade para que as comunidades consolidadas há muito tempo pudessem ser regularizadas. E, com o processo de regularização, é também estabelecida a legislação que dirá o que pode ou não pode ser feito no local. Dessa forma, o crescimento desordenado pode ser contido.
O Jardim Botânico, autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, solicitou ao Instituto Estadual do Ambiente – Inea um mapa delimitando o seu espaço. Este mapa foi levado a um grupo de trabalho formado pelas secretarias municipais de Habitação, Urbanismo e Meio Ambiente, pela direção do JB, a Secretaria de Patrimônio da União, as associações de moradores do Horto e do JB, além de outras representações. O objetivo era o de propor uma solução para o caso, no entanto, não houve consenso e, em meados do ano passado, começou a tramitar na Câmara Municipal o PL 161/2009, que propõe a criação de uma AEIS na região, como solução para o problema.
O PL 161/2009 declara como AEIS dezenove (19) núcleos, sendo que alguns deles ficam dentro do espaço do Jardim Botânico – onde não se pode construir nem é possível investir em serviços públicos, como iluminação pública, sistema viário e de circulação com acesso às moradias e reflorestamento. Não acompanham o projeto estudos técnicos e levantamentos sobre as características dos núcleos e o PL não considera as condições socioeconômicas das áreas.
A área toda pertence à União. Uma parte do terreno foi cedida ao Jardim Botânico, mas não há uma delimitação precisa do espaço sob responsabilidade da autarquia. A área, composta pelos 19 núcleos com características diferentes, não têm continuidade, ou seja, são ocupações dispersas, muitas delas no coração do parque. Outras, isoladas como ilhas – o caso de apenas uma casinha na área Solar 3. Há também núcleos no limite da área do Jardim Botânico, com acesso direto a logradouros públicos (Rua Pacheco Leão e Estrada Dona Castorina). O número total de habitações ou de famílias ainda não está definido porque um estudo encomendado à UFRJ só será finalizado em dezembro deste ano.
Relação dos núcleos:
1 – Comunidade Dona Castorina;
2 a 6 – Pacheco Leão 1, 2, 3, 4 e 5;
7 a 11 -Solar da Imperatirz 1, 2, 3, 4 e 5;
12 e 13 – Estrada do Grotão 1 e 2;
14 – Estrada do Grotão;
15 – Caxinguelê;
16 – Morro das Margaridas;
17 – Major Rubens Vaz , 122;
18 – Major Rubens Vaz , 64;
19 – Jardim Botânico, 1024.
Prezado senhores
Muito bem exposto e esclarecedor. Minha sugestão é que essa nota ganhe uma divulgação maior pelo bairro. Estão usando essa discussão para fins políticos, como é o caso desses 3 vereadores. Um deles nem pertence a nossa comunidade.
Paulo Lima
Tirado do Blog da Vereadora Aspásia Camargo (PV)
Em defesa do Jardim Botânico. Que susto!
E muito misterioso o processo de decisão dos projetos de lei que vamos votar em cada sessão legislativa da Câmara de Vereadores. De repente, lá vem uma bomba! Foi o que aconteceu com a proposta de criar 19 Áreas de Especial Interesse Social (AEIS) no Jardim Botânico, como se este não fosse uma área de domínio federal! Criar AEIS é como produzir favelas em massa, com reconhecimento legal, pois aceita-se nesse caso que esta área especial não cumpra as regras urbanísticas que são obrigatórias para a cidade legal. Criam-se, portanto, duas cidades.
A partir daí, nada mais tem controle pois a dinâmica interna da lei especial fica a mercê dos interesses e do poder dos que dominam a área. Imaginem o Jardim Botânico com 19 áreas especiais! Só quem parecia satisfeito era o Ministro Edson Santos e sua irmã, Emília, que foram criados no local e controlam politicamente a área, que vem ampliando o número de habitantes de forma absolutamente descontrolada.
Vocês se lembram daquela proposta que o Brasil fez à UNESCO, de tornar o Rio de Janeiro – com o Jardim Botânico à frente – Patrimônio da Humanidade? Pois é, como eu havia previsto, e adverti em artigos, newsletters e outros meios- a coisa vai mal. Esqueceram do Rio. Não entregaram (O IPHAN) o projeto no tempo combinado. Nos enganaram. Estamos na geladeira, com poucas chances de conseguir emplacar o pedido. E agora, ainda mais essa. Se o Jardim Botânico virar uma “favela oficial”, aí mesmo é que nem poderemos mais reivindicar o título, pois uma das exigências da UNESCO é dar garantias legais de que somos capazes de preservar o bem que desejamos promover à categoria de patrimônio universal. Faz sentido, não faz?
Quando o assunto veio à baila, há uns dois meses atrás, falei diretamente com o prefeito que este projeto de lei era incabível. Agora, mandei um email para o presidente da Câmara que me comunicou que estava com o prefeito quando o recebeu, e leu meu email em voz alta, dizendo a ele que concordava inteiramente comigo. Bingo! O prefeito já se manifestou hoje pelos jornais, dizendo que a medida é inconstitucional. E é mesmo. Parece que o assunto foi empurrado com a barriga.
Tenho trabalhado muito em defesa das comunidades e da necessidade de integrá-las aos bairros vizinhos, acabando com a cidade partida. E isso que fiz no Plano Diretor, com as emendas que propus para estimular a criação de Conselhos de Desenvolvimento Sustentável com a participação direta das lideranças e dos cidadãos e cidadãs. Mas nada de abusos como esse para estimular a favelização de áreas protegidas. Não é possível que o Rio ande de marcha ré.
Oi, que bom que vocês gostaram das explicações do gabinete da vereadora Andrea Gouvêa Vieira, enviadas por email. Nosso trbalho sobre AEIS foi bem aprofundado, com a ajuda de técnicos em urbanismo.
Qualquer coisa, vocês podem nos procurar pelos telefones 3814-2105 ou 3814-2103.
Abraço,
Cristina Rigitano
Assessora de Comunicação Social – vereadora Andrea Gouvêa Vieira