DEDIC: Nova Relação entre a Polícia e a Sociedade Civil

15 de abril de 2010
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Minha Delegada, Barbara Lomba Bueno,

Fui vítima de uma extorsão por telefone na madrugada do dia 3 de Março de 2010.

Apesar de conhecer relatos sobre o golpe do “sequestro do filho”, algumas circunstâncias me fizeram acreditar na sua veracidade: meu filho estava passando o fim de semana em lugar ermo, seu celular estava desligado, o que não é habitual, e a voz ao telefone era claramente a dele (talvez uma voz pedindo socorro no meio da madrugada, seja, para qualquer mãe, a voz do filho).

Negociei com o pretenso sequestrador por mais de uma hora. Enquanto isso, minhas filhas acionaram a Polícia Civil pelo telefone do Inspetor Ricardo Di Donato, que, apesar de não estar no Rio, fez contato com os Inspetores Diogo Macedo Lopes e Guilherme Tolomei. Em pouquíssimo tempo estes Inspetores estavam em minha casa.

Quando chegaram, eu já estava com um telefone celular habilitado para receber instruções, todas as jóias da casa listadas e embaladas, pronta a correr para o Banco, sacar o que fosse possível, e encontrá-los em uma favela que seria posteriormente determinada.

A presença física do Diogo e do Tolomei foi fundamental. A tranquilidade e a segurança com que tomaram o controle da situação, me impediram de cometer um ato insano. Em seguida, me conduziram à Joatinga, onde meu filho estava, e constatamos que estava dormindo, apenas com o celular desligado. Tudo acabou bem.

Mas talvez não tivesse acabado tão bem se não fosse a disponibilidade do Inspetor Di Donato, atendendo a um telefonema desconhecido no meio da madrugada, e à competência dos Inspetores Diogo e Tolomei. 

Portanto, Barbara, este longo relato é para lhe agradecer. A você e à sua equipe. Tive o melhor atendimento possível, quando acionei a Polícia Civil.Tive uma presença solidária ao meu lado, o que, nas horas de crise, é muito importante. Tive um desfecho feliz para algo que podia terminar mal. E tive, dias depois, uma agradável surpresa. Soube que podia fazer um pré-registro da ocorrência e nem precisava comparecer à DP. Soube que, pelo DEDIC (Delegacias de Dedicação Integral ao Cidadão), podia agendar uma entrevista domiciliar e a DP enviaria alguém para tomar o meu depoimento.

Então quero registrar, não só como mãe e cidadã, mas também como presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, o excelente trabalho que é feito pela sua Delegacia. Recebi em minha casa os Inspetores Ricardo Di Donato e Jayme da Costa Rosa Neto, bem como o Oficial de Cartório Reinaldo Render Leal. Todos tão gentis que ficamos amigos. O DEDIC traz a parceria que esperávamos entre o poder público e o cidadão, e vou registrar este progresso no site da Associação da qual sou presidente.

Em algum momento da vida, todos podemos precisar da Polícia. Saber que hoje temos uma Polícia tão qualificada e humana, nos faz acreditar que os tempos estão mudando.

Um abraço amigo!
Maria Helena Nóvoa

Cara Maria Helena,
A Polícia tem obrigação de agir da forma como nós agimos no seu caso. Não há absolutamente o que agradecer.
O DEDIC tenta mudar justamente essa relação distante e fria que se construiu ao longo do tempo entre a Polícia, órgão do Poder Estatal, e a sociedade civil. O distanciamento favoreceu a arbitrariedade, a corrupção, a confusão entre dever e poder, o descrédito.
Nós, da 15ª DP, tentamos mostrar que somos tão somente servidores públicos encarregados de usar da autoridade para garantir e promover direitos, e que também somos cidadãos merecedores de respeito aos nossos direitos e conscientes de nossos deveres. O DEDIC veio ao encontro dessa nossa linha de trabalho. Sem dúvida é um programa que procura humanizar a relação entre uma Instituição ainda vista como “braço repressor do Estado” e os cidadãos.
Eu que agradeço imensamente pela sua confiança e por sua disposição em divulgar o Programa DEDIC. Precisamos de cidadãos como você, que saibam de sua própria responsabilidade e enxerguem a necessidade da ação conjunta.
Um abraço,
Barbara Lomba Bueno e equipe

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5 Responses to DEDIC: Nova Relação entre a Polícia e a Sociedade Civil

  1. Maria Helena Nóvoa on 16 de abril de 2010 at 12:05 AM

    Amigos do Jardim Botânico.

    Quem entrou em contato com a Polícia Civil, numa madrugada sinistra, não foi a presidente da nossa Associação, foi a mãe apavorada. O golpe é conhecido, havia uma grande possibilidade de ser apenas golpe e uma pequena possibilidade de ser um sequestro. Mas, quando se trata de vida de filhos, mesmo uma pequena possibilidade é apavorante.
    O relato que fiz à delegada Barbara Lomba é absolutamente verdadeiro. A presteza do atendimento – em 15 minutos eu tinha dois inspetores da Polícia Civil na minha casa – me impediu de ir ao encontro de bandidos levando jóias, cheques e cartões de banco.
    A equipe da delegacia do nosso bairro é altamente preparada, podem estar certos. Os inspetores sabiam tudo que diferencia um sequestro de uma extorsão e usaram a psicologia necessária para que eu entregasse o caso a eles (às vezes, a vítima é a maior aliada dos bandidos).
    Portanto, em qualquer emergência, acionem rapidamente a nossa Delegacia (2332-2912, 2332-2908, 8596-7202).
    Vocês não encontrarão funcionários burocráticos: encontrarão amigos.

    (E a presidente da AMA JB não usou sua função para conseguir o excelente atendimento que conseguiu. Está usando apenas para divulgá-lo)

  2. Roberto Manter Goladarer on 27 de abril de 2010 at 5:49 PM

    Já conhecemos o trabalho desses profissionais há algum tempo e não poderia ser de outra forma o desfecho deste caso.
    Muito boa sua iniciativa de dar publicidade a este caso, pois as pessoas devem procurar a polícia sempre, pois são pagos para isso
    Nos moradores do jardim Botânico e adjacências só temos a agradecer e ter muito orgulho de ter policiais como esses nos protegendo.
    PARABÉNS

  3. Maneco Muller on 27 de abril de 2010 at 5:58 PM

    Esse crime, infelizmente, é muito comum e todos nós sabemos como é capaz de comover as pessoas envolvidas. Tive recentemente um caso de um amigo, morador da Gávea, que tomou a medida correta, ou seja: procurou a delegacia mais próxima. No caso concreto tudo foi resolvido. Final feliz. Façam o mesmo!
    Maneco Muller

  4. Maria Helena Nóvoa on 27 de abril de 2010 at 6:56 PM

    Maneco,

    Alguém disse, sobre o Teatro, que diante de qualquer espetáculo temos o direito de vaiar e o dever de aplaudir.
    Os serviços públicos são espetáculos que se desenrolam diante de nós todos os dias. À maioria assistimos com resignação, são lamentáveis.
    Quando vemos algum com qualidade superior, temos obrigação de levantar da comodidade da cadeira e aplaudir. De pé. É o caso da Delegacia da Gávea e do DEDIC.

  5. Bernardo Cox on 15 de fevereiro de 2011 at 4:06 PM

    Muito complicado esse problema da vulnerabilidade dos idosos.
    Moro nas redondezas da praça Sagrada Família no JB e são vários os relatos por aqui. Vejo as pessoas reclamando dos mendigos que são quase sempre inofensivos mas o que não falta é vagabundo de olho nos velhinhos. Muitas vezes com o auxilio de porteiros, zeladores, seguranças de restaurantes e até mesmo policiais e os inúteis da guarda municipal.
    O conflito social de sempre que nós conhecemos bem e ajudamos a criar.

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