Antenas de Telefonia? Não, Obrigado.
Moro num prédio de 3 andares, desses antiguinhos, sem elevador, que dá de frente para uns coqueiros e outro prédio similar. Pois bem, coisa de um ano e meio atrás esse prédio da frente do meu foi abordado por uma companhia que aluga terraços de prédios para instalação de antenas de telefonia celular. A coisa funciona mais ou menos assim: o síndico recebe uma oferta que varia entre 3 e 6 mil reais e cresce o olho, pois os condôminos passam a contar com esse dinheiro para abater mensalmente no valor do condomínio. Uma vez assinado o contrato que cede o terraço, a empresa (agora com plenos poderes) aluga o espaço também para outras operadoras de telefonia: ao invés de uma, normalmente acabam instalando umas quatro ou cinco antenas no alto do prédio. Basta olhar para o alto dos prédios para notar a presença delas… estão por toda a parte.
O problema é que, além da poluição visual, essas antenas emitem ondas de radiação eletromagnética horizontal, que causam diversos males à saúde (enxaqueca, infertilidade, distúrbios do sono, abortos e dizem que até câncer) e por isso sua instalação deve obedecer aos critérios das leis que as regulamentam, dentre eles, a distância mínima de 30 metros de áreas residenciais, escolas e hospitais (decreto municipal 19.260 de 8/12/2000). As companhias de telefonia têm instalado essas antenas de forma irregular e, como ninguém faz nada, fica por isso mesmo… mais de 83% das antenas de telefonia móvel da cidade funcionam sem autorização dos órgãos competentes.
Quando tudo isso se deu, contei com a inestímável ajuda e o apoio de muitos vizinhos mas outros vinham com a velha conversa de que se tratava de uma luta perdida, que a construção da antena já estava em andamento, que era brigar com “cachorro grande”, blá, blá, blá, puro desânimo… É preciso ter garra, disposição e acreditar que podemos sim, mudar as coisas, mesmo lutando contra poderosos. Afinal, somos cidadãos! Desistir antes de tentar é, no mínimo, muito triste… Bem verdade que fiquei umas três semanas mobilizada por conta do assunto, pesquisando na Internet, ligando para uma amiga advogada que me ajudou a descobrir e imprimir a lei e outros casos similares que foram ganhos por moradores, indo à Divisão de Urbanismo da Prefeitura para abrir um processo, tirando fotos para anexar ao processo, provando que a instalação era irregular, o que resultou na visita de uma fiscal da Prefeitura e no embargo definitivo da obra de instalação da antena. Acho importante frisar que a Divisão de Urbanismo resolveu a questão pautada na lei, eu não tinha pistolão nem dei propina.
Agora, há menos de um mês, para minha surpresa, a síndica do mesmo prédio está novamente com a intenção de alugar o terraço para uma outra empresa que instala antenas de telefonia… Alô, Divisão de Urbanismo da Prefeitura: aqui vou eu!!!
(Adriana Pinheiro é astróloga, terapeuta floral e moradora do Jardim Botânico)


